Uso de wearables (relógios inteligentes) na detecção precoce de arritmias em pacientes assintomáticos
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.21983068Palavras-chave:
Wearables, Detecção de Arritmias, Fibrilação AtrialResumo
Introdução: A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais prevalente, com risco ao longo da vida de 37% e associação a risco cinco vezes maior de AVC. Entre 10% e 40% dos pacientes são assintomáticos, tornando o diagnóstico precoce desafiador. Métodos tradicionais (Holter com cobertura de 24–48h até 7 dias) e dispositivos implantáveis (invasivos e caros) apresentam limitações. Objetivo: Realizar análise crítica e integrativa do uso de relógios inteligentes na detecção precoce de arritmias em pacientes assintomáticos, sintetizando evidências sobre acurácia diagnóstica, custo-efetividade, limitações tecnológicas e implicações clínicas. Metodologia: Revisão narrativa da literatura com busca na PubMed/MEDLINE (272 artigos iniciais; após filtros, 34 selecionados e 9 utilizados). Resultados: Tecnologias de fotopletismografia (PPG) e ECG de derivação única apresentam excelente acurácia para FA, mas PPG é suscetível a artefatos e requer confirmação por ECG; ECG depende da ativação do usuário. Grandes estudos (Apple Heart, Fitbit Heart, STROKESTOP) demonstraram viabilidade do rastreamento, porém estudos controlados não mostraram redução significativa na incidência de AVC. A FA subclínica (SCAF) associa-se a risco aumentado de mortalidade cardiovascular, embora risco de AVC seja inferior ao da FA clínica. Smartwatches oferecem monitorização não invasiva e semicontínua, preenchendo lacuna entre Holter e dispositivos implantáveis. Análises de custo-efetividade sugerem benefício em populações de alto risco, mas não em jovens. Barreiras incluem questões regulatórias, privacidade, necessidade de confirmação diagnóstica por profissional e integração clínica. Conclusão: Relógios inteligentes são ferramentas promissoras para detecção precoce de FA em assintomáticos, com boa acurácia e potencial custo-efetividade em grupos de alto risco. Contudo, a ausência de redução comprovada de AVC em estudos controlados, as limitações tecnológicas e as incertezas sobre o manejo da FA subclínica impõem cautela. A implementação clínica exige validação em populações mais idosas, integração aos fluxos assistenciais e diretrizes claras para confirmação diagnóstica e decisão terapêutica.
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