Uso de wearables (relógios inteligentes) na detecção precoce de arritmias em pacientes assintomáticos

Autores

  • Jéssica de Souza Paschoalino
  • Laiza Maria da Silva Queiroz
  • Joelma dos Santos Moura
  • André Campos Almeida
  • Mariah Eduarda Amaral Mateus Vasconcelos
  • Laís Birchal Braga Borges
  • Ana Clara Valente Coelho do Amaral
  • Gustavo Carvalho Rodrigues
  • Maria Eduarda Vale Brandão
  • Valentina Bessone Sadi de Figueiredo Pereira
  • Ana Clara Carvalhais Morosoli
  • Julia Oliveira Lopes
  • Thiago Krempel Drumond Figueiredo
  • Carolina Costa Brant Moraes
  • Raphaella Ribeiro Vilanova

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.21983068

Palavras-chave:

Wearables, Detecção de Arritmias, Fibrilação Atrial

Resumo

Introdução: A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais prevalente, com risco ao longo da vida de 37% e associação a risco cinco vezes maior de AVC. Entre 10% e 40% dos pacientes são assintomáticos, tornando o diagnóstico precoce desafiador. Métodos tradicionais (Holter com cobertura de 24–48h até 7 dias) e dispositivos implantáveis (invasivos e caros) apresentam limitações. Objetivo: Realizar análise crítica e integrativa do uso de relógios inteligentes na detecção precoce de arritmias em pacientes assintomáticos, sintetizando evidências sobre acurácia diagnóstica, custo-efetividade, limitações tecnológicas e implicações clínicas. Metodologia: Revisão narrativa da literatura com busca na PubMed/MEDLINE (272 artigos iniciais; após filtros, 34 selecionados e 9 utilizados). Resultados: Tecnologias de fotopletismografia (PPG) e ECG de derivação única apresentam excelente acurácia para FA, mas PPG é suscetível a artefatos e requer confirmação por ECG; ECG depende da ativação do usuário. Grandes estudos (Apple Heart, Fitbit Heart, STROKESTOP) demonstraram viabilidade do rastreamento, porém estudos controlados não mostraram redução significativa na incidência de AVC. A FA subclínica (SCAF) associa-se a risco aumentado de mortalidade cardiovascular, embora risco de AVC seja inferior ao da FA clínica. Smartwatches oferecem monitorização não invasiva e semicontínua, preenchendo lacuna entre Holter e dispositivos implantáveis. Análises de custo-efetividade sugerem benefício em populações de alto risco, mas não em jovens. Barreiras incluem questões regulatórias, privacidade, necessidade de confirmação diagnóstica por profissional e integração clínica. Conclusão: Relógios inteligentes são ferramentas promissoras para detecção precoce de FA em assintomáticos, com boa acurácia e potencial custo-efetividade em grupos de alto risco. Contudo, a ausência de redução comprovada de AVC em estudos controlados, as limitações tecnológicas e as incertezas sobre o manejo da FA subclínica impõem cautela. A implementação clínica exige validação em populações mais idosas, integração aos fluxos assistenciais e diretrizes claras para confirmação diagnóstica e decisão terapêutica.

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Publicado

2026-06-22

Como Citar

Paschoalino, J. de S., Queiroz, L. M. da S., Moura, J. dos S., Almeida, A. C., Vasconcelos, M. E. A. M., Borges, L. B. B., Amaral, A. C. V. C. do, Rodrigues, G. C., Brandão, M. E. V., Pereira, V. B. S. de F., Morosoli, A. C. C., Lopes, J. O., Figueiredo, T. K. D., Moraes, C. C. B., & Vilanova, R. R. (2026). Uso de wearables (relógios inteligentes) na detecção precoce de arritmias em pacientes assintomáticos. Revista OWL (OWL Journal) - REVISTA INTERDISCIPLINAR DE ENSINO E EDUCAÇÃO, 4(6), 1–11. https://doi.org/10.5281/zenodo.21983068