Adequação dos encaminhamentos e desfechos de pacientes com citologia ASC-US ou LSIL em um serviço de colposcopia do Distrito Federal: análise retrospectiva
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.22085788Palavras-chave:
Patologia do trato genital inferior, Colposcopia, LSIL, ASC-US, HPV, Câncer de colo de úteroResumo
Introdução: As lesões cervicais, especialmente ASC-US (células escamosas atípicas de significado indeterminado) e LSIL (lesões escamosas intra-epiteliais de baixo grau), representam um desafio frequente na rotina da patologia do trato genital inferior. Embora apresentem um curso clínico majoritariamente indolente e alta taxa de regressão espontânea, a condução inadequada dessas pacientes resulta em sobretratamento e custos elevados ao sistema de saúde. A literatura atual enfatiza a necessidade de estratificação de risco individualizada para otimizar o manejo, visto que o rastreamento baseado apenas em citologia apresenta limitações, especialmente na identificação precoce de lesões com real potencial de progressão. Metodologia: Trata-se de um estudo observacional, descritivo e retrospectivo realizado no Hospital Regional de Taguatinga (SES-DF), entre 2021 e 2024. A amostra foi composta por 99 pacientes (18-65 anos) encaminhadas à colposcopia devido a resultados citológicos de ASC-US ou LSIL, independentemente da conformidade com as diretrizes de rastreamento do Ministério da Saúde (2016). Os dados foram extraídos de prontuários médicos, focando em variáveis sociodemográficas, história clínica, achados colposcópicos, anatomopatológicos e condutas finais. Resultados: Identificou-se que 61,6% dos encaminhamentos foram inadequados por descumprirem os critérios de intervalo de repetição citológica. O desfecho majoritário foi a regressão espontânea, com alta para rotina habitual em 45,5% dos casos de ASC-US e 41,7% de LSIL. Por outro lado, a taxa de perda de seguimento atingiu 43,6% em ASC-US e 38,9% em LSIL. O Número Necessário para Encaminhar (NNE) foi de 12,4, revelando a ineficiência do fluxo atual. Fisiologicamente, LSIL predominou no menacme (86,1%), enquanto ASC-US foi mais frequente na pós menopausa (29,1%), associado ao hipoestrogenismo. Discussão: O encaminhamento inadequado sobrecarrega a rede secundária, consumindo vagas destinadas a casos mais graves. A alta taxa de perda de seguimento e a ausência de testes moleculares (como p16/Ki-67) no serviço público limitam a precisão diagnóstica, tornando a propedêutica excessivamente dependente da inspeção visual. Conclusão: A maioria das lesões apresenta comportamento indolente, porém a desarticulação entre atenção primária e secundária, somada ao alto índice de perda de seguimento, compromete a vigilância efetiva, tornando necessária a implementação de estratégias de busca ativa.
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