Relação entre distúrbios do sono e controle da hipertensão arterial em adultos

Autores

  • Fernanda Mol Campos
  • Teresa Lamaita Lopes
  • Marcos de Azevedo Reis
  • Alice Martins Coelho
  • Luciana Campos Leite Ferreira
  • Rafaela Ribeiro Bernardino Lessa
  • Maria Fernanda Santos Attie
  • Douglas Aparecido Ribeiro
  • Cecília Teixeira Werner
  • João Eduardo Vieira Caldas
  • Júlia Godinho Vecchio Maurício
  • Maria Clara Osório Magalhães
  • Isabela Dias Sanches Leite
  • Giovanna Andrade Lopes
  • Maria Clara Vieira Silva

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.21984488

Palavras-chave:

Apneia Obstrutiva do Sono, Hipertensão Arterial, Terapias para Distúrbios do Sono

Resumo

Introdução: A hipertensão arterial sistêmica e os distúrbios do sono — apneia obstrutiva do sono (AOS) e insônia — são condições crônicas prevalentes com interação bidirecional. A AOS afeta cerca de 425 milhões de adultos, com até 50% dos pacientes hipertensos apresentando AOS. A insônia eleva em 45% o risco cardiovascular. O controle pressórico nesses pacientes é desafiador. Objetivo: Analisar, de forma abrangente, a relação entre distúrbios do sono e o controle da hipertensão arterial em adultos, sintetizando criticamente evidências sobre mecanismos, impacto de diferentes terapias e lacunas metodológicas. Metodologia: Revisão narrativa da literatura com busca na PubMed/MEDLINE. Identificaram-se 4.677 artigos iniciais; após filtros (último 1 ano, texto completo gratuito, meta-análises, revisões sistemáticas, revisões e ensaios clínicos randomizados), resultaram 56 artigos, dos quais 13 foram selecionados. Resultados: Dispositivo de avanço mandibular (DAM) reduziu a pressão arterial média durante o sono em −4,7 mmHg (P=0,015) e a PAS durante o sono em −2,0 mmHg (P=0,047), enquanto o CPAP não demonstrou alterações significativas. O CPAP reduziu preferencialmente eventos cardiovasculares em pacientes com AOS de alto risco (carga hipóxica >87,1% min/h ou aceleração da FC >9,4 bpm; HR de interação=0,69; IC95% 0,50–0,95). A hipoxemia noturna mostrou associação consistente com elevação da PA pelo índice ODI3%. Agonistas GLP-1 reduziram IAH (−13,89 eventos/h), peso (−12,46 kg), PAS (−4,86 mmHg) e PAD (P=0,03), com efeito mediado pela combinação de perda ponderal e melhora dos índices de AOS. Estatinas em alta dose não reduziram a PA. Treinamento muscular inspiratório reduziu a PAS em −6,63 mmHg e melhorou a qualidade do sono, mas sem impacto no IAH. Dieta MIND reduziu PAS (−7,75 mmHg) e PAD (−2,51 mmHg) em mulheres com diabetes tipo 2 e insônia. Denervação renal não reduziu significativamente o IAH, mas melhorou a função diastólica (redução de E/e': −1,51) e a distância no teste de caminhada (+64,58 m). Fatores associados à falha do CPAP incluem idade avançada, PAS basal mais elevada e maior tempo de diagnóstico de hipertensão resistente. Conclusão: O controle da PA em pacientes com distúrbios do sono é influenciado pelo tipo de dispositivo, fenótipo da AOS, presença de obesidade e adesão terapêutica. O DAM mostrou superioridade ao CPAP na PA noturna em AOS grave; GLP-1 RAs oferecem benefícios pressóricos mediados por perda ponderal e melhora respiratória; TMI e dieta MIND são intervenções complementares promissoras. Lacunas incluem escassez de estudos com insônia isolada, falta de padronização dos parâmetros de hipoxemia e necessidade de ensaios comparando abordagens multimodais integradas.

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Publicado

2026-06-17

Como Citar

Campos, F. M., Lopes, T. L., Reis, M. de A., Coelho, A. M., Ferreira, L. C. L., Lessa, R. R. B., Attie, M. F. S., Ribeiro, D. A., Werner, C. T., Caldas, J. E. V., Maurício, J. G. V., Magalhães , M. C. O., Leite, I. D. S., Lopes, G. A., & Silva, M. C. V. (2026). Relação entre distúrbios do sono e controle da hipertensão arterial em adultos. Revista OWL (OWL Journal) - REVISTA INTERDISCIPLINAR DE ENSINO E EDUCAÇÃO, 4(6), 1–14. https://doi.org/10.5281/zenodo.21984488