Relação entre distúrbios do sono e controle da hipertensão arterial em adultos
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.21984488Palavras-chave:
Apneia Obstrutiva do Sono, Hipertensão Arterial, Terapias para Distúrbios do SonoResumo
Introdução: A hipertensão arterial sistêmica e os distúrbios do sono — apneia obstrutiva do sono (AOS) e insônia — são condições crônicas prevalentes com interação bidirecional. A AOS afeta cerca de 425 milhões de adultos, com até 50% dos pacientes hipertensos apresentando AOS. A insônia eleva em 45% o risco cardiovascular. O controle pressórico nesses pacientes é desafiador. Objetivo: Analisar, de forma abrangente, a relação entre distúrbios do sono e o controle da hipertensão arterial em adultos, sintetizando criticamente evidências sobre mecanismos, impacto de diferentes terapias e lacunas metodológicas. Metodologia: Revisão narrativa da literatura com busca na PubMed/MEDLINE. Identificaram-se 4.677 artigos iniciais; após filtros (último 1 ano, texto completo gratuito, meta-análises, revisões sistemáticas, revisões e ensaios clínicos randomizados), resultaram 56 artigos, dos quais 13 foram selecionados. Resultados: Dispositivo de avanço mandibular (DAM) reduziu a pressão arterial média durante o sono em −4,7 mmHg (P=0,015) e a PAS durante o sono em −2,0 mmHg (P=0,047), enquanto o CPAP não demonstrou alterações significativas. O CPAP reduziu preferencialmente eventos cardiovasculares em pacientes com AOS de alto risco (carga hipóxica >87,1% min/h ou aceleração da FC >9,4 bpm; HR de interação=0,69; IC95% 0,50–0,95). A hipoxemia noturna mostrou associação consistente com elevação da PA pelo índice ODI3%. Agonistas GLP-1 reduziram IAH (−13,89 eventos/h), peso (−12,46 kg), PAS (−4,86 mmHg) e PAD (P=0,03), com efeito mediado pela combinação de perda ponderal e melhora dos índices de AOS. Estatinas em alta dose não reduziram a PA. Treinamento muscular inspiratório reduziu a PAS em −6,63 mmHg e melhorou a qualidade do sono, mas sem impacto no IAH. Dieta MIND reduziu PAS (−7,75 mmHg) e PAD (−2,51 mmHg) em mulheres com diabetes tipo 2 e insônia. Denervação renal não reduziu significativamente o IAH, mas melhorou a função diastólica (redução de E/e': −1,51) e a distância no teste de caminhada (+64,58 m). Fatores associados à falha do CPAP incluem idade avançada, PAS basal mais elevada e maior tempo de diagnóstico de hipertensão resistente. Conclusão: O controle da PA em pacientes com distúrbios do sono é influenciado pelo tipo de dispositivo, fenótipo da AOS, presença de obesidade e adesão terapêutica. O DAM mostrou superioridade ao CPAP na PA noturna em AOS grave; GLP-1 RAs oferecem benefícios pressóricos mediados por perda ponderal e melhora respiratória; TMI e dieta MIND são intervenções complementares promissoras. Lacunas incluem escassez de estudos com insônia isolada, falta de padronização dos parâmetros de hipoxemia e necessidade de ensaios comparando abordagens multimodais integradas.
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