Uso de simulação realística no ensino de raciocínio clínico para estudantes de medicina

Autores

  • Laura Matoso Costa Assuncao
  • Eduarda Kalil da Mata
  • Júlia Greco Brina
  • Julia Sales Issa Vilaça
  • Ana Laura Sá Bittencourt
  • Fábio Henrique Soares Falquetto
  • Elisa Maestrini Bruno
  • André Emmanuel Pinheiro Linhares Franco
  • Elisa Chiari Dombeck Schott
  • Carolina Carvalho de Faria
  • Fernanda Ganem Cadar de Almeida
  • Felipe Martins Delfim
  • Gabriela Ferreira de Farias
  • Maria Cecília Tavares Duarte
  • Daniel Moura Vieira

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.22003806

Palavras-chave:

Simulação Realística, Raciocínio Clínico, Educação Médica

Resumo

Introdução: O raciocínio clínico é competência essencial na formação médica, cujo desenvolvimento demanda estratégias pedagógicas que transcendem métodos tradicionais. A simulação realística oferece ambientes imersivos e seguros para treinamento de habilidades complexas, abrangendo desde pacientes virtuais até manequins e sistemas baseados em inteligência artificial. Objetivo: Analisar criticamente o uso da simulação realística no ensino do raciocínio clínico para estudantes de medicina, integrando evidências de diferentes modalidades simuladas e contextos educacionais. Metodologia: Revisão narrativa da literatura com busca na PubMed/MEDLINE. Identificaram-se 265 artigos iniciais; após filtros (últimos 5 anos, texto completo gratuito, meta-análises, revisões sistemáticas, revisões e ensaios clínicos randomizados), resultaram 17 artigos, dos quais 9 foram selecionados. Resultados: Ferramentas de pacientes virtuais melhoraram domínios específicos do raciocínio clínico em 58% dos estudos (11/19), com melhorias em coleta de dados, formulação diagnóstica e manejo em 72% das análises (34/47), mas apenas 43% para medidas gerais (3/7). Pacientes virtuais 3D produziram melhorias significativas em consulta (Cohen d=0,55; p<0,001), capacidade diagnóstica inicial (d=0,55; p=0,03) e planejamento terapêutico (d=0,63; p=0,01). Vídeos instrucionais associados à simulação com manequins potencializaram o desempenho clínico (t(30)=2,27; p=0,03). Feedback estruturado gerado por IA melhorou a tomada de decisão clínica após quatro sessões (F(1,18)=4,44; p=0,049; η² parcial=0,198), com ganhos em criação de contexto (p=0,046) e segurança da informação (p=0,018). Chatbots de IA e role-play demonstraram forças complementares, com chatbots favorecendo autonomia e prática repetitiva (Hedges' g=0,99 no cenário de dor no ombro). O acrônimo heurístico PAPER reduziu a carga cognitiva intrínseca em estudantes do quarto semestre, mas não entre os do último ano, sugerindo que o estágio formativo modula a efetividade das ferramentas. A transferência de aprendizagem para a prática clínica real permanece subdocumentada, com predominância de desfechos autorrelatados de satisfação e confiança sobre medidas objetivas de desempenho. A maioria dos estudos (50%) não empregou controles randomizados ou pareados, e 42% não reportaram validade ou confiabilidade de instrumentos de avaliação. Conclusão: A simulação realística é eficaz no desenvolvimento de domínios específicos do raciocínio clínico, com resultados potencializados por feedback estruturado e adequação ao estágio formativo. Lacunas incluem escassez de dados sobre transferência para a prática real, predominância de desfechos subjetivos, heterogeneidade metodológica e instrumentos de avaliação não validados.

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Publicado

2026-06-24

Como Citar

Assuncao, L. M. C., Mata, E. K. da, Brina, J. G., Vilaça, J. S. I., Bittencourt, A. L. S., Falquetto, F. H. S., Bruno, E. M., Franco, A. E. P. L., Schott, E. C. D., Faria, C. C. de, Almeida, F. G. C. de, Delfim, F. M., Farias, G. F. de, Duarte, M. C. T., & Vieira, D. M. (2026). Uso de simulação realística no ensino de raciocínio clínico para estudantes de medicina. Revista OWL (OWL Journal) - REVISTA INTERDISCIPLINAR DE ENSINO E EDUCAÇÃO, 4(6), 1–12. https://doi.org/10.5281/zenodo.22003806