Uso de simulação realística no ensino de raciocínio clínico para estudantes de medicina
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.22003806Palavras-chave:
Simulação Realística, Raciocínio Clínico, Educação MédicaResumo
Introdução: O raciocínio clínico é competência essencial na formação médica, cujo desenvolvimento demanda estratégias pedagógicas que transcendem métodos tradicionais. A simulação realística oferece ambientes imersivos e seguros para treinamento de habilidades complexas, abrangendo desde pacientes virtuais até manequins e sistemas baseados em inteligência artificial. Objetivo: Analisar criticamente o uso da simulação realística no ensino do raciocínio clínico para estudantes de medicina, integrando evidências de diferentes modalidades simuladas e contextos educacionais. Metodologia: Revisão narrativa da literatura com busca na PubMed/MEDLINE. Identificaram-se 265 artigos iniciais; após filtros (últimos 5 anos, texto completo gratuito, meta-análises, revisões sistemáticas, revisões e ensaios clínicos randomizados), resultaram 17 artigos, dos quais 9 foram selecionados. Resultados: Ferramentas de pacientes virtuais melhoraram domínios específicos do raciocínio clínico em 58% dos estudos (11/19), com melhorias em coleta de dados, formulação diagnóstica e manejo em 72% das análises (34/47), mas apenas 43% para medidas gerais (3/7). Pacientes virtuais 3D produziram melhorias significativas em consulta (Cohen d=0,55; p<0,001), capacidade diagnóstica inicial (d=0,55; p=0,03) e planejamento terapêutico (d=0,63; p=0,01). Vídeos instrucionais associados à simulação com manequins potencializaram o desempenho clínico (t(30)=2,27; p=0,03). Feedback estruturado gerado por IA melhorou a tomada de decisão clínica após quatro sessões (F(1,18)=4,44; p=0,049; η² parcial=0,198), com ganhos em criação de contexto (p=0,046) e segurança da informação (p=0,018). Chatbots de IA e role-play demonstraram forças complementares, com chatbots favorecendo autonomia e prática repetitiva (Hedges' g=0,99 no cenário de dor no ombro). O acrônimo heurístico PAPER reduziu a carga cognitiva intrínseca em estudantes do quarto semestre, mas não entre os do último ano, sugerindo que o estágio formativo modula a efetividade das ferramentas. A transferência de aprendizagem para a prática clínica real permanece subdocumentada, com predominância de desfechos autorrelatados de satisfação e confiança sobre medidas objetivas de desempenho. A maioria dos estudos (50%) não empregou controles randomizados ou pareados, e 42% não reportaram validade ou confiabilidade de instrumentos de avaliação. Conclusão: A simulação realística é eficaz no desenvolvimento de domínios específicos do raciocínio clínico, com resultados potencializados por feedback estruturado e adequação ao estágio formativo. Lacunas incluem escassez de dados sobre transferência para a prática real, predominância de desfechos subjetivos, heterogeneidade metodológica e instrumentos de avaliação não validados.
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