Aprendizagem matemática e avaliações em larga escala: o SAEGO e os desafios da educação pública goiana
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.22101097Palavras-chave:
Aprendizagem Matemática, Avaliação em Larga Escala, SAEGO, Educação Básica, Políticas EducacionaisResumo
O presente artigo analisa as relações entre a aprendizagem matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental e as avaliações em larga escala, tomando como objeto de investigação o Sistema de Avaliação Educacional do Estado de Goiás (SAEGO). Parte-se da compreensão de que as avaliações externas assumiram posição estratégica nas políticas educacionais brasileiras, sobretudo a partir da década de 1990, ao produzirem indicadores destinados ao diagnóstico, ao monitoramento e ao planejamento dos sistemas de ensino. Entretanto, a existência de dados sobre o desempenho dos estudantes não implica, por si mesma, a melhoria da aprendizagem, tornando necessária sua apropriação crítica e pedagógica pelas instituições escolares. O objetivo geral consiste em analisar as contribuições e os limites do SAEGO para a compreensão da aprendizagem matemática e para a formulação de estratégias voltadas à melhoria da qualidade da educação pública goiana. Trata-se de pesquisa de abordagem qualitativa, desenvolvida mediante revisão bibliográfica e análise documental. A fundamentação teórica articula estudos sobre aprendizagem matemática, avaliação educacional, políticas de responsabilização e gestão educacional, recorrendo, entre outros, a Piaget, Vygotsky, Ausubel, Vergnaud, D'Ambrosio, Luckesi, Bonamino e Sousa, Brooke, Freitas e Gatti. A análise evidencia que o SAEGO se consolidou como importante instrumento de produção de informações sobre o desempenho educacional no estado de Goiás e permite identificar fragilidades relacionadas à aprendizagem matemática. Todavia, sua contribuição para a qualidade da educação depende da capacidade de transformar indicadores em ações pedagógicas, da formação continuada dos profissionais da educação, da contextualização dos resultados e da articulação entre avaliação, currículo e planejamento. Conclui-se que as avaliações em larga escala podem contribuir para a democratização da qualidade educacional desde que sejam compreendidas como instrumentos diagnósticos e formativos, e não exclusivamente como mecanismos de classificação, controle e responsabilização.
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