Cidadania, memória social e fronteira: o acesso à documentação em Sete Quedas – MS
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.21694359Palavras-chave:
Fronteira, Cidadania, Memória Social, MestiçagemResumo
Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa qualitativa e exploratória que analisa as narrativas de pessoas que enfrentam dificuldades para obter documentos essenciais, associando essas histórias aos conceitos de memória social, cidadania e mestiçagem. O objetivo principal é examinar como a presença ou a ausência de documentação impacta a cidadania e as identidades culturais em contextos fronteiriços, com ênfase na região de Sete Quedas - MS. A pesquisa foi conduzida por meio de dez entrevistas semiestruturadas, aplicadas a partir de um questionário presencial. Para o tratamento dos dados, foi utilizada a teoria de análise do Discurso proposta por Eni Orland, a qual permite explorar as dimensões de poder e exclusão presentes nas narrativas. Os principais resultados indicam que, além das dificuldades burocráticas, os processos discriminatórios possuem um impacto profundo no acesso à cidadania, reforçando os sentimentos de exclusão social. Essas análises evidenciam que a colonialidade, apesar de associada a um passado histórico de subordinação, se manifesta de maneira contínua em práticas contemporâneas de marginalização e exploração. Por outro lado, também foram identificadas formas de resistência e solidariedade que desafiam as estruturas de exclusão. Outro ponto relevante levantado foi a questão da dupla nacionalidade, que se configura como um fenômeno importante nas regiões de fronteira, especialmente em Sete Quedas - MS, onde a convivência entre brasileiros e paraguaios gera tensões identitárias e desafios sociais. A pesquisa reforça a necessidade de garantir a documentação pessoal como medida para assegurar o reconhecimento, a inclusão e a cidadania plena, principalmente em áreas fronteiriças.
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