Formação docente para a educação inclusiva na era da inteligência artificial: competências profissionais, mediação pedagógica e desafios contemporâneos
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.19833991Palavras-chave:
Formação docente, Educação inclusiva, Inteligência artificial na educação, Mediação pedagógica, Competências profissionaisResumo
O artigo examina como a formação docente voltada à educação inclusiva vem sendo reconfigurada diante da expansão da inteligência artificial, dos grandes modelos de linguagem (Large Language Models) e das tecnologias assistivas digitais. Por meio de revisão bibliográfica de caráter analítico, conduzida em bases Scopus, Web of Science, SciELO e Portal de Periódicos da Capes entre agosto e outubro de 2025, o estudo articula produção nacional e internacional dos últimos cinco anos com autores clássicos do campo da formação docente e da educação inclusiva, complementada por documentos institucionais da UNESCO e dados da pesquisa TIC Educação 2024. A análise discute as competências profissionais exigidas do professor contemporâneo, a centralidade da mediação pedagógica em contextos tecnologicamente mediados e as tensões entre inovação digital e compromissos ético-políticos da inclusão. Sustenta-se que a incorporação de sistemas inteligentes à prática pedagógica demanda letramento crítico, formação continuada robusta e discernimento ético, sob pena de reduzir a inclusão a adaptações técnicas desconectadas de projetos educativos emancipatórios. Argumenta-se que a inteligência artificial amplia possibilidades de personalização, acessibilidade e diferenciação pedagógica, mas seu potencial inclusivo depende de professores intelectualmente preparados para interpretar singularidades, problematizar vieses algorítmicos e sustentar a dimensão relacional da docência. Conclui-se que a formação de professores, em sua dupla dimensão inicial e continuada, constitui eixo estruturante para que as tecnologias emergentes fortaleçam práticas inclusivas comprometidas com a justiça educacional.
Referências
ALVES, Lynn (org.). Inteligência artificial e educação: refletindo sobre os desafios contemporâneos. Salvador: EDUFBA; Feira de Santana: UEFS Editora, 2023.
ARRUDA, Eucidio Pimenta. Inteligência artificial generativa no contexto da transformação do trabalho docente. Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 40, e48078, 2024. DOI: 10.1590/0102-469848078.
BENDER, Emily M.; GEBRU, Timnit; McMILLAN-MAJOR, Angelina; SHMITCHELL, Shmargaret. On the dangers of stochastic parrots: can language models be too big? In: PROCEEDINGS OF THE 2021 ACM CONFERENCE ON FAIRNESS, ACCOUNTABILITY, AND TRANSPARENCY. New York: ACM, 2021. p. 610-623.
BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC/SEESP, 2008.
BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União, Brasília, 7 jul. 2015.
CARVALHO, Rosita Edler. Educação inclusiva: com os pingos nos "is". 10. ed. Porto Alegre: Mediação, 2014.
CAST. Universal Design for Learning Guidelines version 2.2. Wakefield: CAST, 2018.
CETIC.br. Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nas escolas brasileiras: TIC Educação 2024. São Paulo: Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR, 2025.
CONTRERAS, José. A autonomia de professores. Tradução de Sandra Trabucco Valenzuela. São Paulo: Cortez, 2002.
CRESWELL, John W.; CRESWELL, J. David. Research design: qualitative, quantitative, and mixed methods approaches. 5. ed. Thousand Oaks: Sage, 2018.
FLORIDI, Luciano. The ethics of artificial intelligence: principles, challenges, and opportunities. Oxford: Oxford University Press, 2023.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
GATTI, Bernardete A. Formação de professores no Brasil: características e problemas. Educação & Sociedade, Campinas, v. 31, n. 113, p. 1355-1379, out./dez. 2010.
GATTI, Bernardete A. Duas décadas do século XXI: e a formação de professores. Revista Internacional de Formação de Professores, Itapetininga, v. 7, p. 1-15, 2022.
HOLMES, Wayne; BIALIK, Maya; FADEL, Charles. Artificial intelligence in education: promises and implications for teaching and learning. Boston: Center for Curriculum Redesign, 2019.
IMBERNÓN, Francisco. Formação docente e profissional: formar-se para a mudança e a incerteza. 9. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
KASNECI, Enkelejda et al. ChatGPT for good? On opportunities and challenges of large language models for education. Learning and Individual Differences, v. 103, art. 102274, 2023. DOI: 10.1016/j.lindif.2023.102274.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. 3. ed. São Paulo: Editora 34, 2010.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? por quê? como fazer? 2. ed. São Paulo: Summus, 2015.
NOBLE, Safiya Umoja. Algorithms of oppression: how search engines reinforce racism. New York: New York University Press, 2018.
NÓVOA, António. Firmar a posição como professor, afirmar a profissão docente. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 47, n. 166, p. 1106-1133, out./dez. 2017.
PIMENTA, Selma Garrido. Saberes pedagógicos e atividade docente. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2012.
RUFINO, Anderson Moraes Silva; SENNA, Luiz Antonio Gomes. Formação docente em tempos algorítmicos: implicações éticas do uso da inteligência artificial na educação a distância à luz da Resolução CNE/CP nº 4/2024. Doxa: Revista Brasileira de Psicologia e Educação, Araraquara, v. 26, 2025.
SELWYN, Neil. Education and technology: key issues and debates. 3. ed. London: Bloomsbury, 2022.
TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. 17. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.
UNESCO. Guidance for generative AI in education and research. Paris: UNESCO, 2023.
UNESCO. AI competency framework for teachers. Paris: UNESCO, 2024.
VALENTE, José Armando. A sala de aula invertida e a possibilidade do ensino personalizado: uma experiência com a graduação em midialogia. In: BACICH, Lilian; MORAN, José (org.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018. p. 26-44.
VIGOTSKI, Lev Semenovich. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. Tradução de José Cipolla Neto, Luís Silveira Menna Barreto e Solange Castro Afeche. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
WILLIAMSON, Ben. Big data in education: the digital future of learning, policy and practice. London: Sage, 2017.
ZUBOFF, Shoshana. The age of surveillance capitalism: the fight for a human future at the new frontier of power. New York: PublicAffairs, 2019.





































