Perspectivas estratégicas dos créditos de carbono na agricultura brasileira: ênfase no biochar
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.20187764Palavras-chave:
créditos de carbono, agricultura brasileira, biochar, remoção de carbono, SBCEResumo
O avanço das mudanças climáticas e a intensificação das emissões antrópicas de gases de efeito estufa ampliaram a centralidade do mercado de carbono no debate contemporâneo sobre sustentabilidade, desenvolvimento e governança ambiental. No caso brasileiro, esse debate assume relevância particular em razão da dimensão territorial do país, da expressiva participação do setor agropecuário em sua economia e do potencial de adoção de práticas produtivas capazes de conciliar desempenho agronômico e mitigação climática. Nesse contexto, este artigo analisa perspectivas estratégicas dos créditos de carbono na agricultura brasileira, com ênfase no biochar, considerando tanto o cenário regulatório inaugurado pela Lei nº 15.042/2024 quanto os mecanismos voluntários de certificação e comercialização. O estudo discute os fundamentos do mercado de carbono, diferencia os mercados regulado e voluntário, examina os principais sistemas de certificação aplicáveis ao biochar e analisa o potencial desse material como tecnologia de remoção durável de carbono e de melhoria da qualidade do solo. Argumenta-se que o biochar ocupa posição promissora na interface entre agricultura e mercado de carbono, especialmente por associar benefícios agronômicos, estabilidade do carbono e possibilidade de geração de créditos de remoção. Conclui-se que o Brasil apresenta condições favoráveis para ampliar sua inserção nesse mercado, embora persistam desafios institucionais, técnicos e econômicos relacionados à regulação, ao monitoramento, à validação de projetos e ao acesso de produtores rurais aos mecanismos de certificação.
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