Trypanosoma cruzi, doença de Chagas e produtos naturais: revisão sistemática (2000–2025)

Autores

  • Cláudio Hansel Martins
  • Julienn Scott Murray Breder
  • Nelson Bretas de Noronha Gomes
  • Iracema Forni Vieira
  • Edson Pablo da Silva
  • Simone da Silva
  • Ricardo Machado Kuster
  • Marcia Cristina Braga Nunes Varricchio
  • Alexandre dos Santos Pyrrho

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.21387668

Palavras-chave:

Doenças tropicais negligenciadas, Trypanosoma cruzi, Cardiomiopatia chagásica, Plumbagin, Produtos naturais

Resumo

A doença de Chagas (tripanossomíase americana) em fase crônica é capaz de causar alterações importantes no sistema cardiovascular, como a cardiomiopatia dilatada, assim, prejuízos que não podem ser revertidos, sendo muito importante tentar ao máximo controlar sintomas, para garantir melhor qualidade de vida de pacientes. E, em especial, a ruptura do ciclo de vida do Trypanosoma cruzi e, consequentemente, da exposição à infecção. A busca por alternativas terapêuticas ao benzonidazol e ao nifurtimox – fármacos com eficácia limitada especialmente na fase crônica da doença de Chagas – intensificou expressivamente as pesquisas com produtos naturais de origem vegetal ao longo do período 2000–2025. Esta pesquisa bibliográfica sistemática aborda duas dimensões complementares: (1) produtos naturais com atividade antiparasitária direta, capazes de interromper o ciclo de vida do Trypanosoma cruzi em uma ou mais de suas formas evolutivas; e (2) produtos naturais coadjuvantes ao paciente, voltados à cardioproteção, imunomodulação e redução do estresse oxidativo associados à cardiomiopatia chagásica crônica (CCC). Foram identificados compostos de destaque nas classes das naftoquinonas, terpenos, alcaloides, flavonoides, óleos essenciais e polifenóis. O plumbagin (Plumbago auriculata) emergiu como o composto natural mais potente identificado, com IC50 de 0,8 µM contra tripomastigotas – aproximadamente 10 vezes superior ao benzonidazol (IC50 = 8,5 µM). No âmbito coadjuvante, a curcumina (Curcuma longa) concentra o maior número de evidências pré-clínicas de cardioproteção na CCC, atuando via inibição da via NFAT/COX-2/PGE2. O número de publicações sobre o tema cresceu 644% entre o quinquênio 2000–2004 e 2020–2025, refletindo o reconhecimento internacional da biodiversidade tropical como fonte estratégica de novas drogas anti-T. cruzi. Nenhum composto natural atingiu ainda fase de ensaio clínico randomizado para a doença de Chagas, porém vários encontram-se em estudos pré-clínicos avançados.

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Publicado

2026-07-16

Como Citar

Martins, C. H., Breder, J. S. M., Gomes, N. B. de N., Vieira, I. F., Silva, E. P. da, Silva, S. da, Kuster, R. M., Varricchio, M. C. B. N., & Pyrrho, A. dos S. (2026). Trypanosoma cruzi, doença de Chagas e produtos naturais: revisão sistemática (2000–2025). Revista OWL (OWL Journal) - REVISTA INTERDISCIPLINAR DE ENSINO E EDUCAÇÃO, 4(7), 1–28. https://doi.org/10.5281/zenodo.21387668