Do perverso ao estrutural: o assédio moral como tecnologia de gestão e seus efeitos destruidores na saúde do trabalhador, à luz de Marie-France Hirigoyen, Christophe Dejours e sob a ótica do Direito

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.22881642

Palavras-chave:

assédio moral, saúde do trabalhador, psicopatologia do trabalho, engenharia de gestão, France Télécom

Resumo

Este artigo analisa a evolução do assédio moral nas relações de trabalho e emprego, elencando inúmeras referências pelo método qualitativo de revisão integrativa sua possível transformação de fenômeno de perversidade individual para dispositivo estruturado de gestão, uma verdadeira "engenharia de gestão" funcional à racionalidade neoliberal. Fundamentado nas obras de Marie-France Hirigoyen e Christophe Dejours, o estudo busca evidenciar como o assédio moral ultrapassou o âmbito interpessoal e se inseriu na lógica organizacional como instrumento sistemático de intensificação do trabalho, submissão subjetiva e exclusão silenciosa de trabalhadores considerados disfuncionais às metas corporativas. Por meio da discussão teórica, análise do caso paradigmático da France Télécom e da jurisprudência, buscou-se evidenciar que a violência perversa opera estruturalmente, produzindo padrões previsíveis de desestabilização, erosão da identidade, silenciamento, despersonalização, isolamento e por fim quando todas as defesas do indivíduo foram derrubadas o adoecimento psíquico e físico. A análise incorpora os conceitos centrais da psicopatologia e da psicodinâmica do trabalho, gestão pelo medo, banalização da injustiça social, sofrimento ético, ruptura dos mecanismos coletivos de defesa, distinção entre trabalho vivo e trabalho morto, e sofrimento patogênico, para demonstrar como o assédio moral é produzido, naturalizado e perpetuado nas organizações contemporâneas. Conclui-se que o assédio moral constitui um determinante estrutural de adoecimento, exigindo deslocamento do foco da responsabilidade individual para a responsabilização organizacional, e que a psicopatologia do trabalho se afirma não apenas como campo do saber, mas como compromisso ético com a vida do trabalhador.

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Publicado

2026-09-21

Como Citar

Junior, R. F., Rossi, V. A., & Franco, C. de. (2026). Do perverso ao estrutural: o assédio moral como tecnologia de gestão e seus efeitos destruidores na saúde do trabalhador, à luz de Marie-France Hirigoyen, Christophe Dejours e sob a ótica do Direito: . Revista OWL (OWL Journal) - REVISTA INTERDISCIPLINAR DE ENSINO E EDUCAÇÃO, 4(9), 1–27. https://doi.org/10.5281/zenodo.22881642